Point da Psicanálise – por Profª Dra. Cléo Palácio

 

Um espaço de pausa, reflexão e reencontro consigo. Aqui, a Psicanálise & Neurociências ganha voz viva, coração pulsante e linguagem acessível. Este é o Point da Psicanálise, o lugar onde teoria e experiência se encontram, e o saber científico se torna também encontro humano. Texto adaptado e comentado por Profª Dra. Cléo Palácio – CMP Palácio Desenvolvimento Humano, Educacional e Profissional.

 

PSICANÁLISE CLÍNICA CLÁSSICA, MODERNA E CONTEMPORÂNEA. O QUE É CADA UMA E COMO ATUAM NA CLÍNICA?

 

A Psicanálise Clínica não é uma prática única e imutável. Ela se desenvolveu ao longo do tempo para responder às transformações do sujeito, da cultura e das formas de sofrimento psíquico. Por isso, costuma-se organizar a Psicanálise em três grandes momentos históricos, Clássica, Moderna e Contemporânea, que não se excluem, mas se complementam.

Todas partem de um mesmo fundamento: o inconsciente. O que muda é a forma de escuta, o foco clínico e o modo de intervenção.

 

PSICANÁLISE CLÍNICA CLÁSSICA

Período: final do século XIX e início do século XX (1895–1939)

A Psicanálise Clínica Clássica nasce com Sigmund Freud, criador do método psicanalítico. Aqui, a clínica se estrutura a partir da investigação dos conflitos inconscientes, sobretudo aqueles ligados à infância, à sexualidade e à repressão.

O que é

É a base da Psicanálise. Um método clínico que busca tornar consciente o inconsciente, permitindo ao sujeito compreender a origem de seus sintomas.

O que faz na clínica

·                 Escuta profunda do discurso do paciente;

·                 Uso da associação livre;

·                 Interpretação de sonhos, lapsos e atos falhos;

·                 Trabalho com transferência e resistência.

Foco principal

Conflitos psíquicos inconscientes e sua elaboração simbólica.

 

PSICANÁLISE CLÍNICA MODERNA

Período: primeira metade do século XX (1910–1960)

A Psicanálise Clínica Moderna surge quando discípulos de Freud ampliam o campo psicanalítico, mantendo o inconsciente como eixo, mas explorando novas dimensões do psiquismo.

Entre os principais nomes estão Carl Gustav Jung e Melanie Klein.

O que é

Uma ampliação da Psicanálise Clássica. Introduz novas leituras sobre o desenvolvimento psíquico, os vínculos e as experiências precoces.

O que faz na clínica

·                 Trabalha símbolos, imagens e arquétipos (Jung);

·                 Aprofunda o estudo da infância e das fantasias inconscientes primitivas (Klein);

·                 Desenvolve a clínica infantil;

·                 Analisa a formação do psiquismo nas primeiras relações.

Foco principal

Relações, símbolos, fantasias precoces e construção da personalidade.

 

PSICANÁLISE CLÍNICA CONTEMPORÂNEA

Período: segunda metade do século XX até os dias atuais (1950–hoje)

A Psicanálise Clínica Contemporânea responde às novas formas de sofrimento do sujeito moderno, dialogando com a linguagem, a cultura e os vínculos.

Destacam-se Jacques Lacan e Donald Winnicott.

O que é

Uma atualização da clínica psicanalítica para o mundo contemporâneo, sem romper com Freud.

O que faz na clínica

·                 Trabalha o inconsciente como linguagem (Lacan);

·                 Analisa o desejo, a falta e o discurso;

·                 Valoriza o ambiente, o cuidado e o vínculo terapêutico (Winnicott);

·                 Atua com sofrimentos ligados à identidade, vazio, angústia e relações frágeis.

Foco principal

Subjetividade contemporânea, vínculos, linguagem e ética do cuidado.

 

O QUE TODAS TÊM EM COMUM?

️ Todas trabalham com o inconsciente
️ Todas utilizam a escuta clínica
️ Todas buscam a elaboração do sofrimento psíquico
️ Todas partem da Psicanálise criada por Freud

O que muda é o olhar clínico, não o fundamento.

 

COMO O ESTUDANTE PODE SE POSICIONAR?

Na formação em Psicanálise Clínica, é natural que o estudante:

·                 se identifique mais com uma abordagem;

·                 utilize referências de mais de uma vertente;

·                 construa, aos poucos, seu próprio estilo de escuta.

A Psicanálise não exige rigidez teórica imediata. Exige estudo, ética e responsabilidade clínica.

 

SÍNTESE FINAL

·                 Psicanálise Clínica Clássica: investiga os conflitos inconscientes (Freud)

·                 Psicanálise Clínica Moderna: amplia o olhar para símbolos, relações e infância (Jung e Klein)

·                 Psicanálise Clínica Contemporânea: atualiza a clínica para os sofrimentos atuais (Lacan e Winnicott)

 

Nota Ética e Autoral – CMP Palácio | Point da Psicanálise

Texto inspirado nas obras clássicas da Psicanálise e em estudos contemporâneos das Ciências Humanas, com interpretação autoral da Profª Dra. Cléo Palácio. Conteúdo de finalidade educacional, científica e cultural, conforme a Lei 9.610/98 (Direitos Autorais) e a Lei 13.709/18 (LGPD). Reprodução parcial permitida mediante citação da fonte e autoria.

 

Referências Bibliográficas

 

FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 1972.

 

FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914–1916). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

 

FREUD, Sigmund. O ego e o id. Rio de Janeiro: Imago, 1976.

 

JUNG, Carl Gustav. O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.

 

JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2011.

 

KLEIN, Melanie. A psicanálise de crianças. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

 

KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros trabalhos (1946–1963). Rio de Janeiro: Imago, 1991.

 

LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

 

LACAN, Jacques. O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.

 

WINNICOTT, Donald Woods. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

 

WINNICOTT, Donald Woods. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.